Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Artigos Meus

Artigos Meus

01
Set18

Portugal da desigualdade salarial

Albertino Ferreira

Portugal é dos países da OCDE que regista maior desigualdade salarial relativa, está em 8.º lugar na relação entre os 10% de trabalhadores que ganham mais e os 10% que ganham menos.

Consta-se que, a desigualdade é ainda maior na primeira metade da tabela, entre os salários elevados e os medianos, aí a posição portuguesa sobe para o 6.º lugar.

De modo contrário, a desigualdade reduz-se substancialmente na parte inferior da tabela salarial, entre os salários medianos e os menores, aí a posição desce para o 28.º lugar, muito abaixo da média da OCDE.

desi.png

 

desii.png

 

desiii.png

A dispersão referida é má em si e também por indicar/confirmar que Portugal é, de forma geral, um país de baixos salários; de facto, países com maiores remunerações, podem até ser mais desiguais do ponto de vista absoluto, da diferença em dinheiro, e menos desiguais relativamente.

Considere-se, a título de exemplo, um país no qual os salários máximos nos dois decis dos extremos são de 10€ para o mais elevado e de 2€ para o decil 1; a sua desigualdade absoluta é de 8€ (10-2); a relativa - P90/P10 - é de 5 (10/2).

Agora um outro em que, para as mesmas posições, o vencimento maior é de 24€ e o menor de 12€; A desigualdade absoluta é de 12€ (24-12), superior à do 1.º país, enquanto que a desigualdade relativa (P90/P10) é de apenas 2 (24/12), inferior à do país acima.

Ou seja, diminuir a desigualdade relativa, pode até ser acompanhado de um aumento da desigualdade absoluta e com um aumento do rendimento de todos. O que possibilitará eliminar ou atenuar os efeitos da redução da desigualdade relativa.

Sim, seria estender muito o tema, mas nas condições históricas em que vivemos, e nas previsíveis no futuro que se pode vislumbrar, a existência de um certo nível de desigualdade é inevitável e justo.

Afirmar isto, num momento de desigualdades chocantes, aparece como uma heresia. Mas não é. Simplesmente é revelar compreensão do funcionamento da realidade social e ter clareza de objetivos para o seu aperfeiçoamento.

30
Ago18

A dispersão salarial

Albertino Ferreira

O gráfico que se apresenta é rico em informação, desde logo a primeira grande conclusão, é a de que a desigualdade salarial entre os trabalhadores dos diferentes níveis hierárquicos - medida pela relação entre os salários mais elevados em cada nível - está a diminuir; essa diminuição é mais sensível entre as remunerações dos 10% dos assalariados com maiores vencimentos e os 10% que recebem menos, uma queda de 0,69; mesmo assim, os de cima auferem quase 4 vezes mais do que os de baixo (barra preta).

Em segundo lugar, reduz-se também a diferença entre os menores salários e os salários medianos, os do meio, (barra lilás).

Em terceiro, em queda está igualmente a diferença entre os vencimentos mais elevados e os medianos (barra laranja).

Finalmente, deve sublinhar-se que a desigualdade cresce com a subida dos níveis salariais, ou seja, a desigualdade na parte superior da tabela, entre os salários mais elevados e os medianos, (barra laranja) é substancialmente maior do que a desigualdade na parte inferior, entre os salários medianos e os salários mais baixos (barra lilás).

A imagem que resulta é a de um corpo raquítico, com o peito menos enfezado e uma grande cabeça...

ds.png

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D