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Artigos Meus

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05
Jan26

Sobre o 1 de Dezembro

José Pacheco

Durante o período do domínio filipino (1580–1640), os duques de Bragança — especialmente D. Teodósio II e depois o seu filho D. João II, futuro D. João IV — mantiveram uma relação ambígua, prudente e estrategicamente distanciada em relação à coroa espanhola. Essa relação pode ser resumida em três dimensões:


1. Lealdade formal à monarquia filipina

Após 1580, os Braganças reconheceram formalmente os reis espanhóis (Filipe II, III e IV) como reis de Portugal.
Isto era politicamente necessário:

  • a Casa de Bragança era a maior casa nobiliárquica do país, com imenso poder territorial e económico;

  • qualquer oposição aberta poderia ser interpretada como rebelião e destruí-la, como sucedera noutras regiões do império espanhol.

Assim, os duques mantiveram um juramento de fidelidade, compareceram em cortes e não lideraram revoltas diretas.


2. Distância política e resistência discreta

Apesar dessa lealdade formal, a relação foi marcada por uma cautela permanente:

Desconfiança da coroa espanhola

Os Filipes receavam o peso político dos Braganças e evitaram integrá-los em posições de grande responsabilidade, ao contrário do que faziam com outras casas nobres.

Recusa de cargos em Castela ou no império

Os duques evitavam aceitar honras que os afastassem de Portugal ou os tornassem dependentes da corte de Madrid.
Um exemplo: D. Teodósio II recusou-se a casar a irmã com o irmão ilegítimo de Filipe IV — oferta vista como tentativa de controlo político.

Autonomia nos seus domínios

A Casa de Bragança manteve praticamente intacto o seu poder territorial, militar e económico no noroeste de Portugal, governando com grande autonomia.


3. Papel decisivo na Restauração (1640)

A atitude cautelosa permitiu manter intacto o prestígio da família, que em 1640 se tornou o pólo natural da revolução restauracionista.

  • D. João II, duque de Bragança, era o único grande nobre capaz de ser reconhecido como rei legítimo.

  • Apesar da sua hesitação inicial, acabou por aceitar — após pressão dos conjurados — tornando-se D. João IV, restaurador da independência.

A sua ascensão mostra que os Braganças tinham mantido distância suficiente da monarquia filipina para serem vistos como alternativa nacional, mas proximidade suficiente para não terem sido destruídos politicamente.


Síntese

A relação dos duques de Bragança com a coroa espanhola durante o domínio filipino foi:

Lealdade formal, para preservar a família e os seus domínios.
Distância prudente, evitando envolvimento profundo com o poder espanhol.
Autonomia política e económica, que os manteve como força alternativa dentro do reino.
Preparação involuntária para liderar a independência de 1640.

O equilíbrio entre obediência simbólica e reserva estratégica explica porque a Casa de Bragança pôde tornar-se a nova dinastia portuguesa.

Os Conjurados de 1640 foram um grupo de nobres e fidalgos portugueses que organizaram o golpe que depôs a regente espanhola, a Duquesa de Mântua, e proclamou D. João IV. A lista varia conforme as fontes, mas há um núcleo central reconhecido pela historiografia.

Principais conjurados (núcleo duro da conspiração de 1 de dezembro de 1640)

1. D. Antão de Almada

– 7.º conde de Avranches; um dos líderes operacionais da tomada do palácio.

2. D. Miguel de Almeida

– 4.º conde de Abrantes; figura central da coordenação militar da ação.

3. D. João Pinto Ribeiro

– Jurista; principal cérebro político e jurídico da conspiração.

4. D. João da Costa

– Ligado ao grupo que atuou dentro do Paço da Ribeira.

5. D. Pedro de Mendonça Furtado

– Importante mobilizador da nobreza.

6. D. Estêvão da Cunha

– Participou diretamente na prisão do secretário de Estado Miguel de Vasconcelos.

7. D. Luís da Cunha

– Conhecido pela sua ação energética no golpe.

8. D. Jerónimo de Ataíde

– 6.º conde de Atouguia; uma das figuras nobres de maior peso.

9. D. Fernando de Lencastre

– Representante de uma das mais importantes casas nobres do reino.

10. D. Francisco de Melo

– Participou na coordenação dos grupos armados.

11. D. João Sanches de Baena

– Um dos participantes ativos na invasão do Paço.


🔹 Outros conjurados frequentemente referidos

(Participaram na preparação ou na execução, ainda que sem papel de comando tão visível)

  • D. Rodrigo de Melo

  • D. Jorge de Melo

  • D. Manuel da Cunha

  • D. Paulo da Cunha

  • D. Pedro de Mendonça (homónimo do anterior)

  • D. António de Saldanha

  • D. Diogo de Paiva de Andrade

  • D. António de Azevedo

  • Lourenço de Freitas

  • Estêvão Soares

  • Martim Afonso de Melo

  • Sebastião César de Meneses


🔹 Papel da Margarida de Sabóia (Duquesa de Mântua)

Embora não seja conjurada, é central no episódio porque foi a regente nomeada pelos Filipes e o golpe consistiu precisamente na sua deposição.

 

Fonte: ChatGPT

 

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